terça-feira, 29 de março de 2016

Pilares Fragmentados.

Obscuro... parado, calmo como as reconfortantes ondas do vazio. Enfim retornei, nadando, afundando para casa. Lar dos gritos incessantes, finalmente pude enlouquecer com eles em um Pandemônio que se alastrava como o negrejante que infectara ao Aéreo Confortante. Em plena Dor de Crescimento, percebi que não pude ser mais do que me permitiria ser. Eles me controlavam, e mediante exímia perfeição, eu não pude suportar por muito tempo. De que adianta? Ecrevendo aquela Carta saberia que quem veria seriam apenas os seres que me atormentam. Sufoquei até minhas Entranhas se contorcerem, o tormento era tamanho que cedi aos desejos deles. E que tola fui... em minha inocência e despreparo, reclamava dos monstros que criei sem saber que podia conviver com eles, ou comigo. Aquele Peito Carregado, aqueles Pés Inquietos não foram o suficientes para fugir do furor da alma. Tudo instantaneamente virou raiva, tudo rapidamente desceu pelo ralo. Um mero desabafo se transformou num mar de lágrimas, que se tornou um oceano de Sanha, Desalento e Clichê dando voltas incontáveis em torno de algo que nunca existiu. Eu. Naquele dia não houve mais barreiras, não houve mais mundo, não houve mais limites, nem asas, nem nada. Sem alternativas, bebi do seu veneno, ao qual até outrora experimentava apenas leves doses. Embriaguei-me da podridão que em cativeiro cultivei... e na Sangria, a carne, o espírito e todas as feridas dilacerei. Por fim, cedi.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Carta.

Buracos em seu coração... pequenos, sangrando. É só o começo da história. Nada que possa evitar a tragédia. Estamos fadados a isso, lembra-se? Ao incerto que nunca nos levará ao caminho de volta. Então por que não se inebria com sua tristeza? Afinal é só o que lhe resta... assim como a mim. Ouça os sons te chamando para aquele canto escuro do quarto. Vá para o berço, para a calmaria que somente ela pode te proporcionar. Enquanto eu? Eu já evaporei. Já não posso contribuir porque não tenho mais nada em mãos, a não ser palavras vãs. Estou atada, fraca pelos tombos, impotente pelas feridas. Talvez dentro de todo esse caos um fragmento de luz possa surgir. Mas não para mim. Faça sua escolha, siga o seu caminho, fuja enquanto é tempo ou entregue-se por completo. Não me convide para dançar novamente porque desaprendi todos os passos. Porém saiba... ainda me importo, e sempre me importei.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Faces e Espelhos.

Vidas e ilusões. Pessoas e máscaras. Faces e espelhos. Saúde e doença. Razão e vontade. Carne e alma. Raso e profundo. Angústia e dor. Nada é tão puro quanto parece, nada é tão real quanto te descrevem. O que crias é o reflexo da sua mente. O que cultivas é o reflexo do seu espírito.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Cólera.

Se mexem os demônios viventes, tão apertados dentro da caixa, tão isolados do resto do veneno. Siga seus instintos, ignore o que está vindo. O relógio estático. O tempo? Imparável. Chama crescente, transe iminente, sacrifício da carne, libertação do espírito. Borbulhando, a inquietação toma forma... e tudo, logo, se transforma. Avante negrejante, roube novamente aquilo que um dia já te pertenceu! Adoeça o que circula em minhas veias.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Azul.

E pintaremos as telas da vivência de um tom trágico, com toda a leveza da tinta da incerteza. Admirando o rei tempo e sua longevidade, tão distante aos olhos da nossa verdade, que acabamos por pensar que somos os exilados da aclamada corte. Brindando aos fracassos, exterminando qualquer traço de aconchego. Gostamos é do ócio! Da ira! Do sentimento em sua forma mais incômoda e genuína. Da beleza do azul, do gosto do cru, das expressões mais borradas, das mentes atormentadas. Comporemos um retrato do interior onde nada mais viveu, somente, por pouco tempo, sobreviveu. Transferir os reflexos, dentre esboços e gritos no vazio. Expor o caos permanente. Por fim, carregar o destino que agradava anteriormente. Enfim, apreciando. Mergulhando. Afogando. Retornando. E a tela continua em branco.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Sangria (2° Versão).

De que adianta ter boca quando não se pode falar? E ouvir e não discernir. No infortúnio do marasmo. De que adianta? Se esforçar se vamos morrer de novo, e de novo, e de novo, como sempre acontece?! E borrar mais e mais um futuro incerto com essa certa sina de perdedor. Pra quê? Viver sem aprender, e se prender nas amarras! Para olhar seu passado e desprezá-lo por não ter feito o que a mente, diariamente, te acusa. Não acredito... como pude entender só agora?! Que os que vêem de fora acham tudo fácil, tão raso. E que cada pensamento espremido, cada gota da seiva, não passaram de meras palavras. Que a carne está envelhecendo, e a alma... pobre alma... enlouquecendo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sobras.

Viva, enquanto a vida esvai em suas mãos. Se distraia com alegrias que maquiam os sentimentos. Cria fantasias para esconder sua real natureza. Porque eles... estão à espreita. Plante flores em seu jardim do agora enquanto vê as do ontem putrefatas. Saúde aos tempos de glória, às asas momentâneas e se prepare para quebrar todos os seus ossos na queda quando elas forem cortadas. Dance, beba, ame, e odeie tudo o que fez. A cada segundo se encha e fique insatisfeito, ache a luz e permaneça na escuridão. Ele vai mudar, eles vão lhe observar. Se afogando nas confortantes ondas do vazio, na esperança e no conformismo, e eles não dirão uma palavra. Você indo... vindo e dando voltas em torno do seu pobre mundo, e eles não dirão uma palavra. Você se embebedando de seu próprio eu, e eles não dirão uma palavra. Você, tão distraído, forjando sua própria forca, e eles gargalharão.