segunda-feira, 21 de abril de 2014
Pedaços de Madrugada (2)
Quando o anil se rende ao breve azul marinho, o espírito finalmente se desprende das amarras dos raios de Sol, e alegremente sorri para a Lua. "Bem vindo novamente"... Onde a tristeza aflora, onde os sentimentos respiram, e pela exaustão transpiram. Tornaram-se refúgio, e as estrelas, o caminho de ligação. O gélido ar invade nas planícies verdejantes. E o agradável algodão das nuvens, transformando-se em mar. Mar, seu lar. Mergulhando e se afogando nas mais profundas águas do tato, do sentir, da inspiração. Então fecham os olhos e ligam-se da forma mais intensa. Podem sentir um ao outro. De acordo com que os primeiros raios, as correntes solares retornam, o espírito enfraquece. E as águas secam, sobrando apenas gotas que escoam por entre os dedos. Em mediante seu ofegante respirar, recita-lhe palavras de amor: "Meu lar, esconderijo a qual eu realmente pertenço, noite dos olhos brilhantes, seus servos continuam a sussurrar em meus ouvidos"... E a amada retribui: "Nos encontraremos novamente, mediante ao Sol poente. Feche seus olhos, porque na escuridão, eu lhe confortarei.".
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
O Conto da Ávore Quase Morta.
E as raízes se estabeleceram. E incomodam à cada pulsada que seu fraco coração dá. Um suplico, lamúria. Enquanto a fina garoa corta aquele cenário tristonho acompanhado de respirações ofegantes, na pesada neblina. O desconhecido cega... E a canção de ninar toca, assim confortando sua alma, aquecendo, lhe trazendo lembranças de dias de inocência e verão. Embora seus galhos estejam totalmente sem flores, sem vida, a vida flui intensamente dentro dela. E pela última vez... Ela sorri...
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Fome.
Venha, alimenta essa alma e o vazio que nela reside. Possua. Das minha narinas, faça o portal, através deste vento gelado da madrugada. Infecte minha mente como fazia antes, me entorpeça, faça-me esquecer os infortúnios que sondam meu ser. Nesta vasta paisagem com nuvens chorosas cor de sangue. E eu exclamo, até meus pulmões se contorcerem... Que queime e o torne cinza novamente.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Através Da Janela.
Pobre coração. Enjaulado pelo concreto, reprimido pelos poréns... Alguém consegue escutá-lo em meio ao tão incessante barulho? Tão ingênuo, bondoso. Grande demais para caber nele mesmo, ansioso demais por estrelas que nunca aparecem. Nem o barulho da chuva o conforta mais. Nem as lembranças o acalenta... Sensível demais para os corações de pedra que o cercam, sozinho demais para ser percebido.
domingo, 29 de setembro de 2013
Sangria.
Deixe ele esvair, sinta queimar! Sinta sua carne morrer pouco à pouco. Deixe ele ser livre. Liberte-o da prisão do óbvio, enquanto ela se aproxima de ti. Não se espante... Afinal, não almejava tanto a libertação?! Retorne às cinzas. À aquele triste dia chuvoso. Onde as nuvens choraram com teu coração, e os trovões bradaram a sua dor. Padeça, num breve momento de extrema sensação de vida. Vamos... Deixe ele escapar das grades que o aprisionam. Putrifique. Junto com toda a escória de sua essência.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Asas Inválidas.
Voe, apenas voe e não olhe para trás. A escuridão não te alcançará, mas para que permaneça assim, nunca se canse, nunca pare. Mantenha a chama acesa, alimente o fogo da alma. Dance com a luz e deixe que eu me conforte no desalento. Mergulhe em mares profundos e deixe que eu me afogue nas lágrimas de tons marinhos. Faça o que eu não fiz por temer. Conheça mundos agradáveis, seja pluma, seja doce, seja suave, seja acalento. Não te preocupes, não permitirei que ela venha sobre ti. Sacrifico-me por ti. Se traje de seda pura, ao divino som da Harpa de Ouro. O céu está ansiando pela sua presença, o ar, os anjos, o belo alaranjado do fim de tarde. Apenas voe, não me espere. Assuma sua auréola. Me deixe em terra firme, na barreira entre os espíritos livres e os aprisionados.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
O Lugar Esquecido.
Não importa o que turva teu coração, dificuldades sempre aparecem e irão aparecer. Seja hora morbidez, hora alegria, mas os sentimentos serão experimentados... Um a um. Um dia, sinta o vento gelado esfriando, ressecando e queimando tuas bochechas coradas. Outro dia, sinta o sol iluminando seu lado mais tenebroso e obscuro. O lugar esquecido. Observe aquela brecha, pequenina, miúda, onde os monstros e fantasmas escapam. Medo, horror, nostalgia, sentimentos... Os malditos foram libertados.
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