terça-feira, 12 de agosto de 2014
Laços.
Olhe em meus olhos... observe-os transbordar. Enquanto seus braços me envolvem numa triste melodia. O adeus machuca tanto... os sussurros inquietantes. Sinta algo queimar dentro do seu peito, assim como as faíscas do meu coração numa perfeita sintonia. Emanando pensamentos. Docemente padecendo. Desamarrando os laços, silenciosamente junte esses pequenos cacos. E depois... depois nos agarramos a mundos mais agradáveis. Afinal, tudo não passará de um simples adeus. Afinal, tudo se resumirá em simples memórias confortáveis.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Apenas Memórias.
Mas afinal, o que vem depois? Depois de todos os começos e finais de uma só vida, depois das flores que murcharam, de todas as cinzas que se misturaram ao vento... E a leveza do espírito finalmente livre beija as nuvens, anteriormente tão longínquas, inalcançáveis. Quando o plano terreno converte-se em invalidez... Quando nos tornamos apenas memórias?
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Imensidão.
E a cabeça, cansada, profundamente atordoada, deita-se no travesseiro. Memórias, visões de mundos desconhecidos, certamente esquecidos pela mente falha. Lágrimas para lavar os arrependimentos, cicatrizar as feridas, tentar curar a alma. Desgastada, o corpo acompanha, adoece, padece junto à frágil carne. Na imensidão azul, esperança. Na escuridão, sonhos que são só sonhos...
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Pedaços de Madrugada (2)
Quando o anil se rende ao breve azul marinho, o espírito finalmente se desprende das amarras dos raios de Sol, e alegremente sorri para a Lua. "Bem vindo novamente"... Onde a tristeza aflora, onde os sentimentos respiram, e pela exaustão transpiram. Tornaram-se refúgio, e as estrelas, o caminho de ligação. O gélido ar invade nas planícies verdejantes. E o agradável algodão das nuvens, transformando-se em mar. Mar, seu lar. Mergulhando e se afogando nas mais profundas águas do tato, do sentir, da inspiração. Então fecham os olhos e ligam-se da forma mais intensa. Podem sentir um ao outro. De acordo com que os primeiros raios, as correntes solares retornam, o espírito enfraquece. E as águas secam, sobrando apenas gotas que escoam por entre os dedos. Em mediante seu ofegante respirar, recita-lhe palavras de amor: "Meu lar, esconderijo a qual eu realmente pertenço, noite dos olhos brilhantes, seus servos continuam a sussurrar em meus ouvidos"... E a amada retribui: "Nos encontraremos novamente, mediante ao Sol poente. Feche seus olhos, porque na escuridão, eu lhe confortarei.".
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
O Conto da Ávore Quase Morta.
E as raízes se estabeleceram. E incomodam à cada pulsada que seu fraco coração dá. Um suplico, lamúria. Enquanto a fina garoa corta aquele cenário tristonho acompanhado de respirações ofegantes, na pesada neblina. O desconhecido cega... E a canção de ninar toca, assim confortando sua alma, aquecendo, lhe trazendo lembranças de dias de inocência e verão. Embora seus galhos estejam totalmente sem flores, sem vida, a vida flui intensamente dentro dela. E pela última vez... Ela sorri...
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Fome.
Venha, alimenta essa alma e o vazio que nela reside. Possua. Das minha narinas, faça o portal, através deste vento gelado da madrugada. Infecte minha mente como fazia antes, me entorpeça, faça-me esquecer os infortúnios que sondam meu ser. Nesta vasta paisagem com nuvens chorosas cor de sangue. E eu exclamo, até meus pulmões se contorcerem... Que queime e o torne cinza novamente.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Através Da Janela.
Pobre coração. Enjaulado pelo concreto, reprimido pelos poréns... Alguém consegue escutá-lo em meio ao tão incessante barulho? Tão ingênuo, bondoso. Grande demais para caber nele mesmo, ansioso demais por estrelas que nunca aparecem. Nem o barulho da chuva o conforta mais. Nem as lembranças o acalenta... Sensível demais para os corações de pedra que o cercam, sozinho demais para ser percebido.
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