segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Sangria (2° Versão).

De que adianta ter boca quando não se pode falar? E ouvir e não discernir. No infortúnio do marasmo. De que adianta? Se esforçar se vamos morrer de novo, e de novo, e de novo, como sempre acontece?! E borrar mais e mais um futuro incerto com essa certa sina de perdedor. Pra quê? Viver sem aprender, e se prender nas amarras! Para olhar seu passado e desprezá-lo por não ter feito o que a mente, diariamente, te acusa. Não acredito... como pude entender só agora?! Que os que vêem de fora acham tudo fácil, tão raso. E que cada pensamento espremido, cada gota da seiva, não passaram de meras palavras. Que a carne está envelhecendo, e a alma... pobre alma... enlouquecendo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sobras.

Viva, enquanto a vida esvai em suas mãos. Se distraia com alegrias que maquiam os sentimentos. Cria fantasias para esconder sua real natureza. Porque eles... estão à espreita. Plante flores em seu jardim do agora enquanto vê as do ontem putrefatas. Saúde aos tempos de glória, às asas momentâneas e se prepare para quebrar todos os seus ossos na queda quando elas forem cortadas. Dance, beba, ame, e odeie tudo o que fez. A cada segundo se encha e fique insatisfeito, ache a luz e permaneça na escuridão. Ele vai mudar, eles vão lhe observar. Se afogando nas confortantes ondas do vazio, na esperança e no conformismo, e eles não dirão uma palavra. Você indo... vindo e dando voltas em torno do seu pobre mundo, e eles não dirão uma palavra. Você se embebedando de seu próprio eu, e eles não dirão uma palavra. Você, tão distraído, forjando sua própria forca, e eles gargalharão.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Pétalas.

Uma a uma... despedaça. Retirando cada camada. Expondo seu interior. Lentamente, sem pudor. Crescente, estridente. O terror está à porta e as paredes, rachadas e fracas. Elas já não te protegem, na verdade, nunca protegeram. Fecha teus olhos, na esperança de que não verás o que você mesma forjou. Tapa teus ouvidos, não querendo escutar as vozes que vivem dentro ti. Bloqueia teus pensamentos, tente esquecer o pesadelo do qual estranhamente tem apego... porque no fim, você sabe, sobrarão apenas cinzas. Ou mais nada.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Dor De Crescimento.

Mal sabia, coitada. E quem haveria de lhe avisar? Já que a hóspede que não teve hora pra chegar, tivesse uma estadia tão duradoura. E quem haveria de saber, que de repente a dor não fosse mais de seus ossos, mas de algo não orgânico, insistente, desobediente, era algo que nem ela conseguiria entender. Coitadinha... tão novinha, e a hóspede, tão dura. Deixou algumas marcas que tentou esconder, mas sangravam tanto que logo suas feridas fizeram questão de sujar suas vestimentas. E a garotinha chorava, esperando que seus contos de fada viessem à tona para lhe confortar com palavras brandas. Chorou até cessarem suas forças. Mas era tarde demais. Tardou a perceber que a hóspede veio para lhe corromper, mas não de uma maneira ruim, afinal, percebeu que já era tempo de crescer. "Ora! Todos crescemos um dia, afinal!". Ela já não tinha mais nada a perder, mesmo que seus olhos, ainda úmidos e inchados, dissessem o contrário. Então uma garoa fina, constante, aguda caiu sobre a garotinha, que, pela primeira vez tocou sua pele. Chuva que se misturou às gotas vermelhas de vida, tão intensas como bordô. Chuva que depois daquele instante, algo a dizia, que jamais cessaria. E a dor... continuou. Como quem nunca parou de crescer. Dor que com o passar do tempo, entorpeceu, acalentou, e a fez sentir como na primeira vez. Dor que num tom trágico de beleza, a fez florescer, mesmo que com toda terra seca que a cercava.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Ciclo.

Um dia a gente evapora. Simplesmente. Exatamente como algo que quebrado, não tem utilidade. Exatamente como água que já serviu pra hidratar, mas agora precisa terminar o seu ciclo. É normal, não somos eternos. Ao contrário, somos descartáveis. Vulneráveis e passíveis, padecendo dentro de nossa própria carne. Pode chamar de pessimismo, tudo bem, não há mal nisso... mas não há nada que possa fazer com algo que é inevitável. A outra parede está lá, o outro lado, e não fazemos ideia do que nos espera além daquela porta. Apenas sabemos que existimos, porque espiamos pelas frestas. Enfim, um dia, a gente evapora. Um dia, meu querido, viramos história... pelo menos isso, não é?!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Pó.

Atrofiando, cada vez mais... Mergulhando, muito longe do cais... Secando, tudo aquilo que já jorrou... Silenciando, tudo o que um dia já gritou... Matando, tudo o que já respirou. Definhado, seco. Finalmente, por inteiro, se rachou.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Saiba. (Memórias E Palavras Quase Afogadas).

Saiba que eu me importei. Saiba que eu queria arrancar essa dor e trazê-la para mim, mesmo se os cacos fossem tão minúsculos à ponto de me fazerem sangrar. Eu não ligava para o que acontecesse a mim, afinal, você quem era a prioridade. Talvez esse pôde ter sido o meu erro, mas confesso que tinha prazer em me doar. Eu só queria ser mais do que eu conseguia ser, ir além do meu alcance. Te puxar de volta desse vazio que você se atirou, lhe fazendo assim, retornar a moradia das nuvens, a paz que sempre almejou (e que eu não pude proporcionar). Mesmo com todos os obstáculos, esse brilho que te faz reluzir mais que prata nunca se perdeu, por mais que não admitisse. Você foi sempre o mesmo, e eu... hum... muito volúvel. Acabei enfiando os pés pelas mãos, caí, mas mesmo assim não consegui te alcançar. Eu sabia, você sempre foi inalcançável. Longe demais de minhas manias e medos infantis. Um espírito independente nato, e eu... bem, uma eterna cativa de meus monstros interiores, teimando em acreditar em fatos impossíveis. E me faça somente esse último favor antes do fim de tudo. Não permita que essa chama acesa se converta em solitárias cinzas brancas, porque elas se vão com a leve brisa. Seja como o fogo, que o vento espalha e o alimenta, fique forte e arda intensamente. Seja o que eu não fui capaz de ser. Quero que saiba que eu me esforcei enquanto tive forças para fazê-lo, agora, me tornei prisioneira demais de meu próprio eu. Desculpe por não poder lutar mais. E isso basta.