quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Entranhas.
O punhal dançou livremente naquele lindo corpo... lembro-me basicamente disso. Comecei a almejar aquele paraíso em que via na ponta de uma lâmina semi- afiada, um pouco enferrujada que eu tinha há um tempo atrás. Ele tinha um magnetismo em que eu não podia ignorar. Lutei e relutei, até achei que eu estivesse ficando sabe... louco. Mas chegou um dia em que não resisti. Finalmente vi o paraíso. Peguei-o e expus aquela carne de pele macia com toda a podridão que continha. Assim, seus pequenos ecos abraçaram a escuridão daquele quarto vazio, e o meu profundo carinho. A dor que vibrou aos tons de bordô já não era tão aterrorizante para mim e para aquele corpo que deixei. Imóvel. Ao contrário, a última feição foi de uma estranha euforia. Em mim. Finalmente entrei no paraíso. E eu... eu sabia! O que a torturava foi o seu próprio intelecto, o vazio da sua existência, os incessantes porquês. Eu só a ajudei, a protegi, dei um basta. Como eu sempre fiz. E eu via que não existia mais devolução, somente a aceitação. O permanente que falhou em coagular. Com isso, aprendi que viver é doloroso e a morte é tranquila, mas somente sua transição que pode ser um pouco... problemática.
"Minhas entranhas não serão mais expostas para esses zombeteiros espectadores", dizia em uma de suas despedidas frustradas. E eu a compreendi, já que eu saí delas.
sábado, 27 de dezembro de 2014
Peito Carregado, Pés Inquietos (Ir: 2° Versão)
Eu só preciso dar umas voltas pelo mundo. De um pouco de ar fresco na varanda de casa, de um bom vinho seco acompanhado de uma música favorita, de olhos fechados contemplando a imensidão do meu próprio ser. Comprovar a existência que deixei escapar por todos esses anos. De viver dia após dia, me descobrir e redescobrir, de bons tragos em cigarros de filtro branco e filtros dos sonhos no meu quarto, pra ver se eu consigo resgata-los, enfim, achar em algum baú perdido por aí. Me transbordar e lavar cada cantinho da alma, tirar a poeira, pra finalmente inspirar ar limpo e exalar qualquer coisa que não seja a melancolia. Tô precisando viver aquilo que sempre temi em fazer, arriscar, sair da bolha, quebrar os meus próprios muros pra criar pontes concretas. Eu só preciso mudar o tom do azul escuro pra o tom do anil. Mas mudar sem perder a essência é tão difícil. A questão é se permitir, mesmo que isso implique em resolver questões que respectivamente deixei no passado, mas que a solução é essencial para o presente. Pois do passado que a essência é criada, e é apenas aprimorada no passar dos anos. E é disso que eu preciso, de ir.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Ir.
Cartas na manga... jogadas sobre a mesa... completamente em vão. Eu vejo você, mas não sei o que pensa. Eu não sei, ainda está tudo tão azul, na verdade sempre esteve. Preciso estancar esse sangue, antes que ele acabe sujando suas mãos. Estradas distintas ou a cratera que nos leva para baixo. Juntando os cacos que eu espalhei, eu só quero ir... não importando o que me espera passos à frente.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
A Hóspede.
E as lágrimas parecem transbordar como algo que logo se transformará num incessante manancial. Ela sorrateiramente retornou... quebrando a razão, estilhaçando o coração, se infiltrando mais e mais. Apenas ela, uma velha amiga que retorna quando deseja, se hospeda, e se acomoda dentre os nós da garganta e emaranhados existentes no interior da carne. Esqueça tudo o que era antes! Minha vontade tornou-se sua, não importa onde eu esteja. E como é difícil se livrar de algo que você gerou. Emana do peito, cala a voz e ensurdece a alma. Pulsa agressivamente... lentamente aderindo à solidão pela causa incompreendida. Reflexos cruéis do espelho, do estado da mente, do espírito enfermo. E a ferida que nunca sara, só expõe mais de tempos em tempos.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Laços.
Olhe em meus olhos... observe-os transbordar. Enquanto seus braços me envolvem numa triste melodia. O adeus machuca tanto... os sussurros inquietantes. Sinta algo queimar dentro do seu peito, assim como as faíscas do meu coração numa perfeita sintonia. Emanando pensamentos. Docemente padecendo. Desamarrando os laços, silenciosamente junte esses pequenos cacos. E depois... depois nos agarramos a mundos mais agradáveis. Afinal, tudo não passará de um simples adeus. Afinal, tudo se resumirá em simples memórias confortáveis.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Apenas Memórias.
Mas afinal, o que vem depois? Depois de todos os começos e finais de uma só vida, depois das flores que murcharam, de todas as cinzas que se misturaram ao vento... E a leveza do espírito finalmente livre beija as nuvens, anteriormente tão longínquas, inalcançáveis. Quando o plano terreno converte-se em invalidez... Quando nos tornamos apenas memórias?
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Imensidão.
E a cabeça, cansada, profundamente atordoada, deita-se no travesseiro. Memórias, visões de mundos desconhecidos, certamente esquecidos pela mente falha. Lágrimas para lavar os arrependimentos, cicatrizar as feridas, tentar curar a alma. Desgastada, o corpo acompanha, adoece, padece junto à frágil carne. Na imensidão azul, esperança. Na escuridão, sonhos que são só sonhos...
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