sexta-feira, 6 de julho de 2012

Aéreo Confortante.

E tranco no meu quarto todas as poesias, as palavras ditas, pensadas, jogadas fora numa droga de papel amassado. E tranco no meu quarto as decepções, meus defeitos e o meu falho eu... Não leve a mal eu só escrever por linhas tortas e desajeitadas, as cambaleadas pelas esquinas, pois minha natureza se encontra assim. Pois minha natureza... Eu tranco no meu quarto. Só quero deixar esse sorriso amarelo, esse olhar frio e minha cara morta tomarem conta de mim. Meus anseios e medos me consumirem, a meia luz me agradar, minha imaginação fluír e dançar alegremente. Deixar que lá, anjos e demônios lutem pelo o meu coração, que com tantos arranhões, ainda continua valendo mais que ouro e prata. Quero deixar que a beleza daquele mundo agrade meus olhos inchados e cansados, que permaneça tudo como está, naquele lindo e triste vilarejo tingido em sépia. Não perturbe, por favor.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Campo de Girassóis.

Ele está alí, além das montanhas pontiagudas, dos vastos pântanos e florestas fechadas. Além dos campos de girassóis. A mágica, o furor, o ar puro de se respirar. Inspirar, expirar, exalar e fazer com que tudo seja mágico, magnífico. Ele está alí, cruzando as paredes do orgulho. Passeando ao seu redor. O estopim de todas as preocupações e alegrias. A faca de dois gumes cravada em ambos corações, corações que sussurram segredos um para o outro. O pacto de sangue, as juras, o beijo apaixonado, o esperado amor.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Favo de Mel.

Só me faça carinho até eu cair no sono, me cante uma canção de ninar, só me abrace e beije minha testa, só olhe nos meus olhos e diga que nunca me deixará. E se uma lágrima cair no meu rosto, limpe-a e apenas me beije... Você, eu e mais ninguém para nos impedir. Passando dias solitários à dois. Esperando os corpos envelhecerem e o amor permanecer. O anseio de um futuro tão longe, tão próximo, onde o mútuo sentimento mesmo com as forças já gastas, permanece firme. O ilusório "para sempre" que teimamos em acreditar que realmente seja verdade. Cheiro adocicado, flores de cerejeira, tons pastéis, serenidade... Pele aveludada, corações puros, sentimentos sinceros. Estou nadando mais e mais para seus braços, enfeitiçada, não há nada a fazer. Apenas me render a esse sentimento que toma-me inteiramente por dentro. Não haverá nada a fazer... Render-me-ei então.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Dias cinzas.

O som da chuva, que lindo... Como nunca percebi antes? O som dos pássaros cantando em minha volta depois de uma furiosa tempestade. O som que me deixa anestesiada, encantada pela profundidade de tamanha beleza. Esses dias cinzas... Como a natureza é bela, divina... Seu equilíbrio, sua doçura, sua revolta, sua natureza.

domingo, 3 de junho de 2012

Clamor à Poseidon. (1° Parte)

Por ter se distanciado de sua casa e acabando distraíndo-se com a linda noite estrelada que fazia, Cordélia acabou perdida em meio a uma vasta floresta sombria e ouvira um sussurro de uma criança. Sussuros que ficavam evidentes o medo e o desespero da mesma. -Espere criança, não lhe farei mal! Espere!- É só o que conseguiu dizer. Ela está visualmente enfraquecida, mas conseguia correr absurdamente rápido. Quando de repente sentiu a presença dela e estranhamente uma aura que a fez sentir os monstruosos sentimentos da pequena criança de cabelos longos e negros a qual só conseguiu ver isso. Cordélia estava percebendo que a aparente menina não era normal e isso a assustou. A moça correu, correu e se afundou dentro das folhas verdes e molhadas causadas pelo sereno da madrugada. A caminhada não parecia ter fim quando, num piscar de olhos, num descuido, a pequena criança que lhe aparecera há algumas horas antes, surge em sua frente com seus cabelos negros, pele e olhos brancos como a neve. A verdadeira aparência de um cadáver. Cordélia ficara congelada mediante a tanta beleza e obscuridade do ser em sua frente. A criança coloca as suas mãos gélidas no rosto com temperatura agradável da garota e diz: "Não seja tola, não tenhas medo. Eu também não lhe farei mal. Apenas a levarei a um lugar seguro, onde os espíritos atormentados encontrarão paz...". Perto daquela floresta, era o leito da misteriosa criança e o mesmo lugar onde morrera. Cordélia, sem reação aceita o pedido e vai até o lugar prometido pela menina. Era um mar fundo e furioso, cheio de rochas pontiagudas esperando para ceifar outra vida. Codélia não teve o controle sobre seu corpo e quando se deu por sí, tinha se atirado naquele lugar aparentemente aterrorizante. Tinha acabado de cair nos braços de Poseidon, no leito das sereias e na imensa escuridão gelada onde, já calma e conformada com a paz que a morte repentina lhe trouxe, adquiriu seu descanso eterno. E lá, encontrou aconchego...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dama da escuridão.

Neve, neblina... E a Dama da Noite me espera. Ela quer dançar, cantar suas belas canções, me hipnotizar por completo. Vinho, sangue, luxúria. É tudo o que ela quer de mim. Exalando uma suave fragrancia, lembrando o cheiro de rosas que me atormenta nas noites mais frias. Neve, neblina... Escuridão... Meu lar, o lar dela. A onde ela gosta de estar. Pensamentos, trevas, silêncio... A voz dela.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A menina que gostava de flores.

A luz da lua cheia se estende pelo tatami. Vestindo seu kimono, uma geiko que ser. Em frente ao espelho, arruma seus cabelos longos e pretos. A menina deseja ser mais que uma simples aprendiz... Terminando seu penteado, finaliza com hashis. Roupas bordadas, extremamente detalhadas estão à sua volta. Sob a supervisão de sua tutora, a menina misteriosa que gosta de flores, que teve seus sonhos roubados, sua infância, seus amores, cresce. Vira uma bela mulher que agora gosta da noite. De volta a sua casa, vai descansar. Tira seu kimono e aparecem curvas de mulher, mediante à um corpo cansado. "Tenho que parecer feliz" é a expressão que ela quer transpassar para todos. A garota cresceu, porém, seus sentimentos continuam os mesmos e por baixo de sua maquiagem, ela os esconde brilhantemente... Realizou seu sonho, mas perdeu sua vida. Agora vive para entreter os homens com sua expressão frígida. Almeja a perfeição diante de adornos, agora cega pelos seus caprichos, se envaidece. A menina sonhadora dentro da mulher triste, falece.